SÃO PAULO - Na contramão do que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou sobre o resultado de consumo de energia pela indústria em janeiro, a CPFL Energia afirma que observou uma recuperação da demanda de energia elétrica pelo setor produtivo nos dois primeiros meses de 2009. As principais altas foram verificadas no setor de papel e celulose, que aumentou o consumo em 15% na segunda semana de fevereiro, as indústrias químicas e de embalagens e até mesmo as metalúrgicas, com destaque para aquelas ligadas ao setor automobilístico iniciaram 2009 registrando crescimento da demanda em relação a dezembro de 2008.
Segundo o presidente da holding, que engloba sete distribuidoras, Wilson Ferreira Júnior, a empresa não sentiu nenhuma revisão de demanda do volume de energia contratada por grandes clientes. No total a empresa atende a 6,4 milhões de clientes em 568 municípios em SP, RS, MG e PR. Na comercialização, tem 21% do mercado livre brasileiro.
Essa retomada do consumo industrial foi também verificada pela Comerc Comercializadora que registrou crescimento de 4,64% sobre o consumo de janeiro. Porém, se comparado com o mesmo mês de 2008, a queda ainda é significativa, 13,03%.
Apesar do índice positivo, o presidente da Comerc, Marcelo Parodi alerta para o fato de que muitas empresas não terão como utilizar toda a energia contratada adicionalmente. "É provável que o índice de sobra de energia no mercado aumente, mas precisamos esperar o relatório da CCEE", afirmou Parodi.
Segundo os últimos dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), verificados em dezembro, a sobra de energia alcançou 1.024MW. "Esse volume é equivalente a 10% da carga do mercado livre brasileiro", disse o presidente da Associação Nacional de Consumidores de Energia (Anace), Paulo Mayon.
Ele defende como alternativa permitir a venda dessas sobras no mercado para reduzir o prejuízo.
Consumo cativo
No mercado em que o ambiente de contratação é regulado e onde estão inclusas as classes residencial e comercial a CPFL apresentou crescimento de 8% em comparação a 2007. O presidente da holding disse que essa será a tendência dessa classe de consumidores, posição que é confirmada pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Neoenergia, Erick Breyer.
"O mercado cativo não é tão elástico, há um crescimento vegetativo que na área de concessão da Neoenergia foi de 2%", afirmou Breyer. "Porém, ainda é cedo para afirmar que este será o desempenho do ano, não há como projetar o consumo, assim como ninguém sabe ainda qual será o PIB brasileiro ao final do ano", ressaltou ele. A Neoenergia é a responsável pela Coelba, Celpe e Cosern (Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte). Breyer afirmou que a crise não afeta a classe residencial porque quando há possibilidade de cortar consumo, essa ação é feita prontamente, por isso apenas na forma de desemprego é que o volume distribuído poderá chegar à empresa, que mantém investimentos anuais de R$ 1,16 bi até 2011 em distribuição.
Revisão tarifária
A partir de domingo (15) os consumidores no ambiente regulado que são atendidos pela Ampla terão um novo valor na conta de energia elétrica. Para a classe residencial a queda será de 1,23%. Para as indústrias os índices variam de redução em 1,05% a um aumento de 5,73% dependendo da classe de consumo. Estes índices são maiores do que o previsto, pois a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acatou uma solicitação da distribuidora e concedeu uma receita de R$ 14 mi. Os encargos setoriais tiveram maior peso, dentre eles a geração termoelétrica de 2008. Ainda este mês a agência libera os índices da revisão tarifária anual para outras duas distribuidoras, ambas no estado de Santa Catarina.
Fonte: DCI Por: Maurício Godoi